Negócios para público da melhor idade podem ser boa aposta de investimento

 

Bate papo com a empresária Roberta Bueno Souza, à frente da Ekiness

A nova geração de brasileiros com mais de 60 anos não quer ficar em casa parado vendo o tempo passar. O aumento da expectativa de vida da população também é um dos fatores que tornam promissores os negócios voltados para a terceira ou melhor idade.

Quando se fala em negócios para os mais velhos, pensamos em venda de fralda geriátrica, bengalas e agências de cuidadores, mas o mercado do envelhecimento é bem maior do que isso e tem empresário já atuando especificamente para esse público.

Segundo o Sebrae, o perfil delas é bem diverso e engloba desde os senhores que jogam xadrez na praça e as senhoras que fazem tricô em casa até aqueles que viajam regularmente, frequentam academias de ginástica, submetem-se a procedimentos estéticos e consomem produtos e serviços altamente especializados.

É! E quem já se jogou para atender essa demanda de “melhor idade” já colhe frutos. Roberta Bueno Souza, à frente da Ekiness, estúdio personalizado em Pilates, treino funcional, fisioterapia e osteopatia, em São José dos Campos, tem trabalhado bastante para atender de forma personalizada e inovadora os alunos “mais velhos”.

Confira minha conversa com a empresária :

Vivian Sant’Anna: Você teve alguma situação pessoal que te atraiu para esse mercado ou foi uma escolha natural?

Na verdade, acho q fui sendo “escolhida”(risos) Quando iniciei o trabalho com o método Pilates em 2004, os clientes eram jovens ou de meia-idade, porém com o passar dos anos, estes mesmos clientes, fiéis ao método, foram envelhecendo e muitos se tornaram idosos nestes meus 14 anos de trabalho com o método. Observar o envelhecimento deles e como esse processo era singular para cada um me levou a questionar se realmente estávamos fazendo tudo o que era necessário para prepará-los. Motivada por esta pergunta, fui buscar mais conhecimento sobre esta fase tão importante de nossas vidas e acabei entrando no programa mestrado em Gerontologia da USP.

 Vivian Sant’Anna: Quais são as diferenças entre uma aula de pilates normal e uma desenvolvida especificamente para idosos?

A estrutura da sessão dentro da metodologia de nossa escola, o Physicalmind Institute de Nova Iorque, não é diferente para clientes jovens ou idosos, porém nossas escolhas de movimentos serão direcionadas para cada cliente que nos procura. Particularmente com os idosos, é necessário trabalhar força muscular de membros inferiores, equilíbrio e os movimentos de extensão de tronco. Além disso, precisamos saber que alguns movimentos podem ser altamente contraindicados, como por exemplo, os abdominais realizados com flexão de tronco quando o idoso tiver osteoporose ou uma osteopenia muito importante. Além disso, as sessões devem estimulá-los a sair da postura deitada e levá-los para a postura em pé para que possamos prepará-los para caminhar com segurança. Caminhar com segurança, ter força nas pernas e conseguir responder às demandas de desequilíbrio do ambiente são fundamentais para a prevenção de quedas, eventos que são uma das causas mais importantes de hospitalização e até mesmo morte dos idosos.

Vivian Sant’Anna: Quais as dificuldades de se trabalhar com esse público?

Não existem dificuldades em se trabalhar com este público, mas sim algumas precauções importantes como, por exemplo, conhecer a histórica clínica de cada um para saber se alguns movimentos são contraindicados. O mais importante é que estejamos abertos a escutá-los, respeitá-los em suas limitações e medos, porém devemos sempre motivá-los a ultrapassar estes limites, ainda que um pouquinho de cada vez. Nosso corpo traz emaranhado dentro de si, memórias de toda a nossa vida, e com certeza, os idosos possuem muito mais registros!

Estas memórias podem ser boas ou não, e podem gerar crenças, como por exemplo que, para determinada dor cessar, devemos ficar imóveis. Atualmente, sabemos que a imobilidade traz muito mais danos que o movimento, porém, precisamos olhar para o outro com profundo respeito por sua história e por suas dores. Nós, como profissionais que trabalham com o restabelecimento do movimento, precisamos conseguir auxiliar nosso cliente a reestabelecer conexões de prazer com o movimento, pois a vida é movimento constante.

Vivian Sant’Anna: Com o aumento da expectativa de vida e principalmente de anos de trabalho, investir em qualidade de vida e envelhecer bem se torna cada vez mais valioso, a partir de que idade devemos nos preocupar com isso?

Logo no início das aulas no programa de mestrado escutei uma frase que ficou profundamente marcada em mim: “Envelhece-se como se vive!” , então, o momento de preparar para a longevidade (para os nossos 100 anos!) começa hoje! É importante a gente saber que nossos sistemas corporais começam a envelhecer em diferentes momentos e que envelhecer é um processo que se dá ao longo de nossa vida… Este processo é diferente para cada um e é influenciado por fatores internos (genéticos por exemplo) e fatores externos (cultura, questões econômicos, etc). Por exemplo, nossa pele começa seu envelhecimento geralmente aos 25 anos, nossos músculos e ósseos, em torno dos nossos 35 anos. Então, este processo começa muito mais cedo que a gente geralmente imagina.

De maneira muito simplificada, podemos pensar em 2 momentos, um antes e outro durante o processo do envelhecimento. Tudo o que fizermos antes que o processo de declínio aconteça poderá ser benéfico para essa fase, por exemplo, quanto mais reservas tivermos de massa muscular e óssea (acumulada até aproximadamente os 30 anos de idade e construídas a partir de práticas de atividades físicas desde a infância) menor será nosso declínio ao longo dos anos. Agora, se o processo já começou, isto é, em meados dos nossos 35 anos, essa é uma boa hora para começarmos a nos atentar para nossa saúde física, mental e emocional, para que consigamos manter ao máximo nosso corpo “em dia”.

 Vivian Sant’Anna: E quem já passou desse período ainda tem salvação?

Com certeza! Nosso corpo é uma máquina maravilhosamente desenhada e conseguimos ter ganhos durante toda a nossa vida, então, se a pessoa decide cuidar de sua saúde aos 70 ou 80 anos, com certeza ela conseguirá ter ganhos.

Vivian Sant’Anna: Você acredita que ainda há um preconceito de que “A partir de certa idade não adianta fazer nada…” e como você faz para desmistificar isso?

A primeira resposta que me vem a cabeça, é algo que minha avó falava: “Só não se dá jeito pra morte!” E a verdade é que ela tinha toda a razão. Cada vez mais temos exemplos em nosso estúdio e até mesmo na mídia dos resultados que idosos de mais de 80 anos conseguem quando resolvem se cuidar. Atualmente, tivemos um cliente de 85 anos que chegou até nós pois estava caindo muito. Quando fizemos sua avaliação, constatamos importantes desvios posturais e fraquezas musculares, mas também observamos que sua capacidade cognitiva estava totalmente íntegra. Em menos de seis meses de trabalho, realizando 2 sessões individuais por semana, ele melhorou sua postura e começou a sentir-se mais seguro para caminhar. Então, a melhor maneira de desmistificar essa crença é o idoso se permitir experimentar algo novo em sua vida. Na verdade, sair da zona de conforto é um treino que devemos fazer diariamente, independente de nossa faixa etária, pois somente fora dela é que poderemos alçar novos vôos.

 Vivian Sant’Anna: Quais as novidades que podemos esperar?

Atualmente, conseguimos realizar uma publicação internacional sobre os benefícios do método Pilates de Solo para os idosos e, já estamos com novos trabalhamos em andamento. Neste momento, estamos desenhando um novo protocolo com movimentos para a prevenção de quedas em um equipamento específico do Método Pilates. Então, a partir de 2019 poderemos compartilhar os resultados desta nova pesquisa para toda a comunidade.

 

 

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