Pancs ganham espaço no prato e nos negócios

No Parque Vicentina Aranha, em São José dos Campos, é possível encontrar vários tipos de Pancs

As Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) estão cada vez mais ganhando espaço no prato dos brasileiros. Talvez você já tenha até consumido uma e nem saiba. Elas estão por todos os lugares e podem ser facilmente encontradas em jardins, plantações e hortas. Aqueles matinhos que muitas vezes são arrancados podem e devem ser consumidos. Muitos tem até benefícios medicinais.

Se você não conhece ou tão pouco ouvir falar, em São José dos Campos, já tem gente investindo na disseminação das Pancs. O Mato no Prato, que tem à frente a geógrafa e ambientalista Beatriz Carvalho, há alguns anos já trabalha na área. Ela, ao lado do sócio e marido Arthur Credo, desenvolve produtos, cursos e consultorias e implementam paisagismo produtivo.

“O consumo eventual de flores, folhas, raízes não convencionais é apenas o primeiro passo para uma alimentação realmente saudável, a informação e a prática de uso são os melhores caminhos para quebrar preconceitos e ampliar os cardápios, revolucionando de vez a alimentação e restaurando a relação da sociedade com a natureza”, conta Beatriz.

Eu, que também não conheço muito sobre o assunto, quis conhecer de perto essa empresa que tem na sua veia a sustentabilidade e consciência ambiental. Vem ler meu bate papo com a especialista Beatriz.

Vivian Sant’Anna: O que é a Mato no Prato?

O Mato no Prato é um movimento que deu origem à MATO, um empreendimento social dedicado a disseminação das Plantas Alimentícias Não Convencionais, vegetais pouco explorados pela gastronomia contemporânea em consequência da industrialização,  mas que possuem potenciais nutricionais, estéticos e de sabor inigualáveis. Entre as principais atividades do Mato no Prato estão o desenvolvimento de produtos, os cursos e consultorias e implantação de paisagismo produtivo.

Vivian Sant’Anna: Como é empreender na área de educação ambiental?

Compota de Pancs assinadas pelo Mato no Prato – dá para ingerir Pancs em forma de chá, torta, geleia, compotas e muito mais

Empreender na área de educação ambiental é desafiador, pois as pessoas associam com  atividades infantis, lúdicas e às vezes até superficiais. Portanto, decidi partir de uma prática universal, a alimentação. Toda vez que escolhemos um alimento, impactamos o meio ambiente, positivamente ou negativamente. É importante que as pessoas entendam isso e saibam que comer bem e cuidar da própria saúde é também cuidar da natureza.

Vivian Sant’Anna: Como analisa a consciência ambiental das empresas da nossa região? Na nossa região as empresas tem se interessado mais pela sustentabilidade em seus negócios?

A sustentabilidade é um assunto cada vez mais presente e as empresas têm procurado adaptar-se a novas tecnologias, que reduzem impacto ambiental e também os custos de produção ou dos seus serviços. No entanto, poucas ousam se comprometer e promover reformas significativas no seu cotidiano, que envolvam mudanças comportamentais, que são as medidas mais fundamentais para uma vida e um ambiente saudável.

Vivian Sant’Anna: Você é especialista em PANC (Plantas Alimentícias Não Convencionais). Nos conte um pouco sobre elas e como é possível gerar negócio na área?

O termo PANC abarca todas as espécies vegetais comestíveis que não estão à disposição nos mercados a nível nacional. Plantas que são conhecidas como ornamentais ou que são consideradas matos, por serem espontâneas ou até pragas, quando se desenvolvem e dispersam facilmente. Muitas delas já fizeram parte da aliementação das populações mais antigas, como a Taioba, a Serralha, que aqui no Vale no Paraíba compuseram o cardápio do caipira. Hoje a alimentação está modernizada e isso não significa que está melhor. A industrialização dos alimentos limitou a variedade do que consumimos a basicamente 3 vegetais, trigo, milho e soja. Isso significa que temos uma alimentação pobre em sabores, texturas e nutrientes. Daí é que vêm as oportunidades de negócios na área, que são infinitas, na descoberta de novas espécies, no desenvolvimento de produtos, de cardápios para restaurantes, na nutrição, no paisagismo, na educação ambiental, e por aí vai.

Beatriz Carvalho durante workshop no evento Experimenta! assinado pelo SESC

Vivian Sant’Anna: Quais empresas da nossa região são atendidas hoje pela Mato no Prato?

Trabalhamos mais frequentemente com empresas da capital, e outras regiões do estado, mas temos visto os negócios locais se interessarem mais por este tema, principalmente neste último ano. Temos como clientes instituições como o Sesc, o Senac e restaurantes como o Nibs Juice Bar, onde fazemos o paisagismo produtivo e vários outros que encomendam nossas PANC para ocasiões especiais.

 

 

 

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