Pequenos produtores rurais se unem e criam espaço colaborativo em São José dos Campos

Apesar da globalização, há uma crescente de movimentos que incentivam os produtores locais e regionais. E é com essa premissa, que um grupo de produtores rurais do Vale do Paraíba e da Serra da Mantiqueira se uniu para criar  o movimento “Fazedeiras da Serra – parceria&sustentabilidade”, que tem como objetivo fortalecer suas marcas expondo e vendendo seus produtos de forma colaborativa.

Essa novidade chegou em São José dos Campos há  dois meses pelas mãos da idealizadora do projeto Regina Araújo, que comanda ao lado de outros produtores o espaço colaborativo de produtos rurais e artesanais no Empório Emiliana, na Vila Adyana. “Nós já mensuramos um crescimento nas vendas desde então. O espaço Fazedeiras nos dá a oportunidade de contar a história de nossos produtos e assim trazê-los para mais perto do consumidor”, revela Regina.

Quer entender melhor como funciona o movimento de economia colaborativa do Fazedeiras da Serra? Confira meu bate-papo com a Regina Araújo:

Vivian Sant’Anna: Como surgiu a ideia do Fazedeiras da Serra?
O Movimento Fazedeiras da Serra nasceu da necessidade de expansão dos negócios da GeleiaBoa, minha marca de geleaias artesanais. Pesquisando empreendimentos inovadores na área da pequena produção artesanal me identifiquei com uma iniciativa que surgiu no Brooklin, em Nova York, na década de 1970, com a indignação de um produtor com o custo do seu produto ao consumidor final praticado nas lojas e mercados. Ele pensou o seguinte: “se cada amigo me der 200 dólares, a gente monta um mercado colaborativo, onde nós faremos todos os trabalhos em sistema de doação de horas de mão de obra com objetivo do preço justo para todos da cadeia do negócio. Para surpresa dele mais de 600 pessoas entre amigos e amigos dos amigos contribuíram e então iniciaram o primeiro mercado colaborativo em NY.
Inspirada nessa iniciativa eu comecei pensar nos amigos e nos recursos que tinha por perto. Enquanto eu pensava no modelo do mercado em local fixo, veio a ideia de adaptar para um modelo Itinerante inicialmente. Aí, nasceu o Fazedeiras da Serra parceria & sustentabilidade, em zona rural em 2017, o qual expandiu no mesmo ano com participações em eventos corporativos em empresas públicas e privadas na região do Vale do Paraíba e São Paulo, capital. Em 2018 a iniciativa foi readaptada abrangendo oficialmente o Território Mantiqueira e Vale do Paraíba. Essa abertura de mercado possibilitou o meu reencontro com um grande amigo de adolescência, o empresário também produtor artesanal Renato Zambrini que, cedeu um espaço no seu empório Emiliana, na Vila Adyana,  para que eu colocasse em prática o tão sonhado plano o qual batizamos de “Espaço Colaborativo Fazedeiras da Serra-Emiliana”.

Vivian Sant’Anna:Que tipo de produtores estão envolvidos?

São produtores artesanais familiares que produzem no Território Mantiqueira e Vale do Paraíba.

Vivian Sant’Anna:E como funciona o grupo?
Cada produtor é responsável por apresentar o Movimento Fazedeiras da Serra e todos os produtos que participam da iniciativa ao consumidor e também é responsável pelo seu produto seja no Espaço Colaborativo ou no Itinerante.

É um Movimento com regras específicas e termo de compromisso para cada forma de participação. O Espaço Colaborativo Fazedeiras da Serra-Emiliana com número de nichos limitados, tem taxa de adesão e contribuição mensal para custos com assessoria de imprensa e pequenas manutenções no local.

Para participação no Fazedeiras da Serra Itinerante as despesas com infraestrutura são rateadas e para o produtor que não faz parte do espaço colaborativo cabe contribuição destinada aos serviços de assessoria de imprensa do Fazedeiras da Serra. Não há limite de número de produtores basta se identificar com a proposta.

Vivian Sant’Anna:O que vocês esperam atingir com essa união?

Em primeiro lugar, juntos nós economizamos custos por exemplo com aluguel, luz, água e funcionários visto que o Empório Emiliana é a parceria que permite a sustentabilidade do negócio.
Isso nos dá segurança para avançar nos planos e gerar negócios coletivos por meio de  rodadas de negócios no local,  assinatura mensal de produtos Fazedeiras da Serra,  lançar site de vendas, Catálogo de vendas p distribuidoras.

Vivian Sant’Anna:Vocês sentem esse movimento inverso de procurar por algo diferenciado, exclusivo e artesanal?
Esse movimento inverso sempre esteve presente num pequeno nicho de mercado, exemplo vegetarianos e consumidor de produtos naturais no geral. De alguns anos pra cá o alimento saudável, sem conservante químico, feito artesanalmente  em pequena escala virou “moda” pegando carona na mídia do orgânico. Quando eu falo que o Fazedeiras da Serra é um Movimento de resistência da produção artesanal familiar é também nesse sentido – no caso sobretudo do alimento, o de aceitação do consumidor como algo que é feito com cuidado por famílias pensando em quem vai comer, independente de selos ou rótulos.
Essa abordagem mais pessoal tem sido possível  pelo crescente  apoio de empresários que compartilham seus espaços com os pequenos produtores fazendo com que cada vez mais nossos produtos carregados de histórias entrem diretamente na casa do consumidor.

Vivian Sant’Anna: Como você acredita que esse projeto auxilia as famílias produtoras?
O Fazedeiras da Serra propõe um estilo de trabalho que tem também o cunho da
1) mudança de comportamento dos produtores no modo de agir coletivamente de forma colaborativa;

2) no planejamento de suas produções;
3) na comodidade de ter um espaço com seus produtos a venda pelo preço justo do produtor;
4) ter seus produtos num espaço com 40 anos de tradição na cidade atendendo em média diária mais de 100 pessoas no local;
5) gerar renda;
6) Excelente custo x benefício do negócio;
7) No Itinerante uma forma a mais de expansão das vendas e exposição da marca individualmente.

Vivian Sant’Anna:O que você acredita que ele traz de desenvolvimento econômico para a região?
Ainda é cedo para dizer alguma coisa nesse sentido, mas no ritmo que estamos trabalhando e avançando eu arriscaria dizer que estamos propondo inovação no mercado artesanal e isso gera curiosidade das pessoas e elas querem fazer parte de alguma forma. Isso ocorrendo de fato, nós teremos também roteiro de visitação às produções. Toda forma de receita será impactado na economia local.

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